28 – E não reconhece Todo o Mundo como o Estado tem de ser forte num regime, em que ele tem de regular e coordenar superiormente a vida política, económica, social e moral da Nação? Na verdade, só assim ele poderá vigiar pelo equilíbrio político, económico e social das actividades; só assim ele poderá encontrar o sentido da perfeita harmonia, da perfeita interpretação do interesse particular e do interesse público; interesses que não diremos fundidos, mas estreitamente «caldeados». Esta palavra é de Salazar.
29 – E aqui vem mais uma razão de ordem prática, contra as de todas a teorias opostas de certos corifeus comunizantes; a que ajuizadamente deixa às empresas a direcção dos negócios, não como regalia, (em regime corporativo não há regalias) mas como processo único e eficaz de salvaguardar as iniciativas socialmente úteis e de lhes atribuir as responsabilidades correspondentes. Em regime corporativo não há a vida fácil, nem as sinecuras dos passados regimes. Toda a proeminência social representa, com a hierarquia que lhes é respeitada, a correspondente responsabilidade – que não o esqueça Todo o Mundo demasiado preocupado tanta vez com o seu exclusivo «Bem instalar na vida».
E assim favorece, pois, o Corporativismo a riqueza. Como a aprecia ele? – pois pela sua utilidade social, pelo que ela vai progressivamente representando duma elevação do nível da cultura, de bem estar material, reflectido por todos os sectores da Comunidade, dos mais brilhantes aos mais modestos. Não procura falsamente um nivelamento, em massa tão diferente, como é a humana, por leis da própria natureza. Mas admite logicamente a proeminência dos melhores, com a correspondente responsabilidade, com o correspondente respeito pelos mais humildes, cuja dignidade humana quer salvaguardada por uma vida sã, decente e moral. Isso se vê dum modo geral, por exemplo, não apenas nas comodidades materiais, mas no revigoramento corporal e espiritual da raça (vá lá o palavrão…), no aperfeiçoamento da educação, na moralização dos costumes, na estabilidade, na segurança, na coesão das famílias agrupadas nesta grande família que é a Comunidade, que é a Nação.
(Continua)
O CORPORATIVISMO PORTUGUÊS (28)
Cadernos Corporativos - Sabatinas com os Inimigos do Corporativismo, Claros e Ocultos, de Fora e de Dentro – SEGUNDA SABATINA – por António Ribeiro da Silva e Sousa (Sidónio Miguel). Edição do Sindicato Nacional dos Empregados de Escritório dos Serviços de Navegação – Lisboa - 1943