33 – E estamos neste encadear de princípios e de práticas no capítulo do trabalho – dever de solidariedade social. Lá diz o Estatuto do Trabalho Nacional, cuja data pode fixar uma grande data, se soubermos respeitá-la. Num dos anteriores Cadernos, lançámos a frase mágica «Antes e depois de Corporativismo» e fizemos dela uma linha divisória na história da nossa economia. Não dissemos nem dizemos «da economia mundial», porque as coisas da nossa pequena Casa Lusitana não podem ter grande reflexo nas casas alheias, quási sempre maiores e muito cheias de si para copiarem da nossa. Porque há-de Todo o Mundo impedir que a nossa pequena vida económica e social seja diferente da anterior à publicação do Estatuto do Trabalho Nacional? Porque não havemos todos de fixar muito a sério princípios tão sãos como o do trabalhador colaborador nato da empresa, onde exerce a sua actividade, com o qual se efectiva a solidariedade entre o capital e o trabalho; como aquele que amplamente supõe que em perfeito regime corporativo todos somos trabalhadores?
E que deve praticamente corresponder ao trabalho, dever de solidariedade social? – Naturalmente o do trabalho, direito do trabalhador, como único processo tangível do seu direito à vida pelo esforço do seu cérebro e do seu braço. Trabalho portanto que carece de ser impulsionado, de ser protegido pelo Estado, como preconiza Salazar: o Estado protector do trabalho ordeiro. Trabalho que em qualquer das suas formas: manual, intelectual, de direcção, liberal (passe a velha terminologia) é igualmente digno sob o ponto de vista humano e social, embora não tenha, como não pode ter, o mesmo valor económico, por virtude das leis intransgressíveis das realidades humanas, que determinam em dado momento a criação de capitais, a criação da propriedade.
(Continua)
O CORPORATIVISMO PORTUGUÊS (31)
Cadernos Corporativos - Sabatinas com os Inimigos do Corporativismo, Claros e Ocultos, de Fora e de Dentro – SEGUNDA SABATINA – por António Ribeiro da Silva e Sousa (Sidónio Miguel). Edição do Sindicato Nacional dos Empregados de Escritório dos Serviços de Navegação – Lisboa - 1943