43 – Romantismo político? Romantismo económico? Vago, vaguíssimo programa de regeneração humana na hora duma geração, depois do caminho milenar de tantas gerações? – Não, não é preciso que assim seja, embora não nos envergonhemos, não devamos envergonhar-nos de sermos um pouco quixotescos, na companhia de tanto Sancho Pansa que por aí come suinamente a sua bolota e acaba também por ficar sem a sua ilha…
Comecemos por acatar o princípio da «economia onde não há económico sem social, nem social sem económico»; sujeitemos os interesses particulares ao grande interesse geral; mandemos servir onde outrora se mandou enriquecer, sem esquecermos os preceitos do Sermão da Montanha. E, se deve persistir em tal obra e propaganda a teoria de que é na linha dos egoísmos que o problema tem de ser posto, não tenhamos dúvida então em assim o pormos também a Todo o Mundo: Chegámos a uma hora crucial. Ou nos conciliamos para bem de todos, ou vamos todos para a catástrofe. Não julgue o devorista Todo o Mundo que o aguarda uma digestão fácil.
(Continua)
O CORPORATIVISMO PORTUGUÊS (39)
Cadernos Corporativos - Sabatinas com os Inimigos do Corporativismo, Claros e Ocultos, de Fora e de Dentro – TERCEIRA SABATINA – por António Ribeiro da Silva e Sousa (Sidónio Miguel). Edição do Sindicato Nacional dos Empregados de Escritório dos Serviços de Navegação – Lisboa - 1943