PRIMEIRA SABATINA
Sumário das perguntas, críticas e reservas, a que responde: Que precisa, pois, Todo o Mundo de saber? ; Todo o Mundo está apenas na barricada do patronado? ; Organização que só vê grupos ou o grupo único da colectividade? ; O económico depois do social? ; O social depois do económico? ; Deficiências de espírito e de técnica? ; Que disse Salazar? ; Deficiência nos princípios? ; Pode negar-se a obra já realizada? ; Falência porque? ; Que é o espírito corporativo? ; A falta do espírito corporativo apenas se nota na Gente grada? ; Qual o imperativo que se impõe a quantos queiram ser dirigentes ou doutrinadores na obra da propaganda e da Organização Corporativa?
13 – Que precisa, pois, Todo o Mundo de saber desde já?
- Ninguém repete o que ouviu a Salazar nesta hora crucial dos destinos da Comunidade: «Há certamente santos entre os homens, mas os homens não são santos. E é preciso contar com que os seus defeitos, e, no caso, o seu egoísmo, extravasem do domínio interno para a vida e a organização, sobretudo se podem transformá-la em instrumentos dos seus próprios interesses. A maneira mais simples e hábil de resolver um problema humano é achar-lhe a solução na linha dos egoísmos». Todo o Mundo acha bem. Ninguém acrescenta: «Infelizmente nem sempre é possível, sendo então necessário fazer-lhes frente e tentar conduzi-los ou dominá-los com a maior energia».
14 – Ai! Todo o Mundo não está apenas na barricada do patronato, do proprietário, do capitalista… A arrumação seria então facílima. Ninguém o ouviu a Salazar: «É erróneo supor que só o rico, o patrão, o proprietário são egoístas. Queixamo-nos de açambarcamentos e especulações, mas não é só o produtor ou o comerciante que açambarca e especula; é também o consumidor. A tendência é vender o que se tem pelo mais caro e comprar o que os outros possuem pelo mais baixo; trabalhar para os outros o menor número de horas e os outros para nós o mais que puderem.? Todo o Mundo, que raciocina muito ainda à liberal ou à socialista, mesmo quando pretende ser corporativista, acha tudo isto concorde com a natureza humana, porque cem anos de individualismo feroz ensinaram-no a dizer que humano é sinónimo de egoísta. Ninguém dá razão a Salazar e compreende que a Economia Corporativa está na base da troca moral dos serviços e Ninguém confessa, por sinal, a origem de todas essas bichas à porta das tendas, dos carvoeiros, das drogarias, etc., está muito no açambarcamento do não imediatamente necessário nas despensas abarrotadas de Todo o Mundo.
(Continua)
O CORPORATIVISMO PORTUGUÊS (21)
Cadernos Corporativos - Sabatinas com os Inimigos do Corporativismo, Claros e Ocultos, de Fora e de Dentro – PRIMEIRA SABATINA – por António Ribeiro da Silva e Sousa (Sidónio Miguel). Edição do Sindicato Nacional dos Empregados de Escritório dos Serviços de Navegação – Lisboa - 1943