21 de fevereiro de 2026   


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EM DIO CULMINA UMA EPOPEIA
(Discurso proferido em Dio, em 30 de Abril de 1952, na solene recepção nos Paços do Concelho)

Não vos irei narrar a história espantosa desta nobilíssima praça, entre todas principal. Todos a sabeis, ou melhor, a sentis, a viveis, a trazeis no sangue e no coração. Em Dio culmina uma epopeia. Parte-se de Portugal, ou pela volta esforçada da Boa Esperança ou através de novas passagens que se abriram nos velhos mares que os antigos marinheiros devassaram no regolfo da Índia, e por qualquer caminho nos cercam as pegadas e as lembranças de um passado grandioso, quer na impávida e muda sobranceria dos fortes, ou na presença viva dos templos, dos costumes, da língua, das saudades – nas terras e nos povo que a incomparável e generosa humanidade dos Portugueses tocou, acariciou, amou.
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Por este caminho aportámos à nobre e guerreira cidade de Dio, que sendo de si dura de tomar, se tornou depois invulnerável como a alma dos portugueses que a defenderam.
Entra-se aqui como num templo. Se as religiões têm os seus santuários, as Pátrias também têm os seus altares. Dio é altar e santuário. Muralhas levantadas com fervor patriótico, onde moços ignaros se confundiram com fidalgos e guerreiros experimentados, todos carreando pedras para a sua edificação; baluartes imortalizados pelas defesas famosas; tranqueiras onde os defensores nunca passaram de centenas, quando não de magras dezenas – e feridos e doentes e estropeados – afrontando e desbaratando milhares de valentes inimigos, alguns deles combatentes de fama e bem pouco acostumados a sofrer derrotas; torreões onde cada homem foi guerreiro destemido e cada mulher uma heroína – homens e mulheres portugueses que nem fomes, nem sedes, nem pelouros, nem traições subjugaram – esta é a nobre Dio que Nuno da Cunha fundou e que foi imortalizada por António da Silveira, o seu primeiro e intimorato defensor; e por um Dom João de Castro que por debaixo das ondas virá com a espada na boca a socorrer-nos, no juízo insuspeito do grande e impávido D. João de Mascarenhas; e por tantos heróis quantos homens e mulheres pisaram os seus eirados, vidas sem sangue, que a maior grandeza de alma imortalizou.
Aqui se trocou a vida do moço D. Fernando por uma pedra da fortaleza, como seu ilustre pai admitira; e se elevaram os mais altos cumes do patriotismo as donas virtuosas, valentes e piedosas, que, se não fossem portuguesas, só na lenda poderiam existir: a Velha de Dio, essa Isabel Fernandes, exemplo incomparável de estoicismo, de coragem e de amos da Pátria; Isabel Madeira, Isabel da Veiga, Bárbara Fernandes, Ana Fernandes, e outras cujas sombras nunca mais se despegarão das pedras destas muralhas que só o seu valor permitiu fossem erguidas sobre os baluartes desmantelados.
Sentinela inexpugnável, pela sua presença forte os Portugueses penetraram e dominaram no Golfo Pérsico, da navegação de todo o mar da Arábia, cobrindo novas expedições que perscrutaram todos os mares até aos confins da Insulíndia e do Japão. E mais tarde, quando outros povos, menos missionários e mais comerciantes, surgiram para nos atacar, aproveitando o desgraçado cativeiro da Europa, Dio ainda pôde acompanhar as proezas e o valor de tantos, como Rui Freire de Andrade, a sombra de Albuquerque – conforme o apelidaram os seus adversários e admiradores – ou um Nuno Álvaro Botelho, que novos títulos vieram acrescentar às tradições portuguesas.
Daqui se poderia, na verdade, fazer uma saudação aos mortos pela Pátria, ao longo de toda uma história, pois que se na glória do além-túmulo houvesse um cenáculo de heróis portugueses decerto nenhum outro local o mereceria mais do que as muralhas, entre todas gloriosas, da gloriosa Dio.
Relíquia sagrada, os seus moradores têm hoje ainda a ventura de viver em paz e tranquilidade, evocando um passado heróico e trabalhando honradamente. A Índia Portuguesa, como a própria Nação, orgulha-se deste pequenina parcela; e os seus Governos não a têm esquecido e têm-lhe garantido a prosperidade e bem-estar e o prestígio, no mesmo ou em maior grau do que desfrutam os outros territórios nacionais. E apesar da sua situação relativamente invejável, novos projectos e melhoramentos se encaram, com vista à elevação das sua condições de vida.
Meus senhores: Dio não foi nem será esquecida. É isso que se sente desde a capital da Nação à capital do Estado da Índia. É isso que aparece bem evidente no interesse e nas propostas do Sr. Governador-Geral. É isso que sei estar presente nas preocupações do Sr. Governador do Distrito, das autoridades municipais, e de todos os que têm a felicidade de viver neste histórica cidade à sombra das suas muralhas.
Bons e leais portugueses que espelhais as virtudes cujo perfume se não perderá através dos tempos; povo humilde e honrado que trabalhais nas vilas, nos campos e no mar e que orais nas igrejas, nos templos ou nas mesquitas: visito-vos com emoção e deixar-vos-ei com tristeza. E levarei comigo, como um privilégio a poucos concedido, o ter em minha vida, pelo menos uma vez, aqui aportado, com a mesma unção de um cristão que visita Jerusalém, um hino o Rio Sagrado ou um maometano Meca.
Dio, como Sagres, é um dos polos mais altos da religião da Pátria.
A todos endereço, em nome do Chefe do Estado, em nome do Presidente do Conselho e do Governo da Nação, em nome de todas as províncias portuguesas de todas as partes do Mundo, em nome de todos os Portugueses, as mais enternecidas e afectuosas saudações.


AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA (05)

AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA – EM DIO CULMINA UMA EPOPEIA (Discurso proferido em Dio, em 30 de Abril de 1952, na solene recepção nos Paços do Concelho) pelo Capitão de Mar e Guerra M. M. Sarmento Rodrigues - Ministério do Ultramar – 1954

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Carlos Luz


Digo-o sempre em sua honra e memória: Parabéns ao Dr. Salazar, um grande chefe de estado!

Nelson


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«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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