A NAÇÃO ESTÁ NESTE MOMENTO NA ÍNDIA
(Discurso proferido no Ministério do Ultramar, em 6 de Agosto de 1954, durante a manifestação organizada pelos representantes das actividades económicas de Angola)
Nesta acção intensa em que estamos empenhados na defesa da integridade do solo pátrio da Índia contra as pretensões infundadas do Governo da União Indiana e as agressões criminosas dos seus sequazes, sente o Governo que tem a seu lado toda a massa da Nação, aquém e além-mar.
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Não seria possível, a cada momento, dar contas à Nação de todas as diligências e providências efectuadas e em curso para restabelecer os nossos direitos ofendidos e fazer face a qualquer decisão que se depare. Tal atitude poderia inclusivamente ser prejudicial aos nossos interesses. Mas do que todos podem estar certos é de que o Governo não descura o aproveitamento e emprego dos meios ao seu alcance e presta a maior atenção a todas as sugestões construtivas e colaboração que lhe são oferecidas.
A Nação está neste momento na Índia, com os seus soldados, com os seus heróis e com os seus mortos, no histórico enquadramento das mais gloriosas tradições portuguesas. A Nação toda, das províncias Metropolitanas às do Ultramar, toda e unida, está com os bravos defensores das terras portuguesas da Índia e da liberdade do povo português que as habita. Com esse povo ilustre, que através de mais de quatro séculos da sua história tem insofismavelmente demonstrado a sua integração, o seu patriotismo estreme e corajoso e um alto grau de cultura que o distingue dos outros povos do subcontinente indiano e lhe dá especial relevo na comunidade lusitana.
Uma terra e um povo assim não podem ser objecto de crassos apetites imperialistas de expansão nem de enxovalhos da escória social que das terras estrangeiras vizinhas enviam para nos ofender. Contra uns e outros oporemos a mais firme resistência.
Vemos com agrado que o Mundo parece agora dar conta que o Estado da Índia é, de facto, uma parte integrante do território e do povo português. São muitos e valiosos os aplausos e apoios que temos recebido. E a todas as consciências rectas – sejam ocidentais ou orientais – não pode deixar de repugnar que se atente deliberadamente contra os sagrados direitos de uma Nação honrada e pacífica, mas disposta a não ceder a ameaças nem à violência. Este mundo não poderia, com risco de ver subvertida toda a moral, todo o direito e todas as regras de convívio entre os povos civilizados, assistir com indiferença a uma agressão contra a Índia Portuguesa.
A onda de revolta que o brutal assalto a Dadrá e Nagar-Aveli provocou em todas as províncias ultramarinas e de que a manifestação de hoje é uma continuação, mostra bem até que ponto temos todos, aqui e no Ultramar, a consciência das nossas responsabilidades na defesa duma unidade que é a nossa força e o nosso orgulho.
Os heróis defensores de Dadrá marcaram, na sua humildade e sacrifício, um exemplo de grandeza a seguir, caminho que trilham galhardamente os portugueses de Nagar-Aveli, resistindo e repelindo com denodo todas as agressões das hordas engendradas na União Indiana e pelas suas forças armadas protegidas.
Infelizmente, não temos possibilidades de muito rápidas comunicações com aquele território isolado, pois que de há longos meses ao Governo do Estado da Índia era sistematicamente impedida a passagem através da União Indiana de material de transmissões e de tudo que as pudesse facilitar. No entanto, os defensores de Nagar-Aveli sabem que todos estamos fervorosamente com eles e que com eles contamos para honra do nome português.
AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA (18)
AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA – A NAÇÃO ESTÁ NESTE MOMENTO NA ÍNDIA (Discurso proferido no Ministério do Ultramar, em 6 de Agosto de 1954, durante a manifestação organizada pelos representantes das actividades económicas de Angola) pelo Capitão de Mar e Guerra M. M. Sarmento Rodrigues - Ministério do Ultramar – 1954