OS NOVOS EXEMPLOS
(Alocução proferida em Lisboa, em 12 de Agosto de 1954, perante um formatura da Mocidade Portuguesa, junto da capela onde se encontra o túmulo de D. João de Castro)
Perto do túmulo do grande Vice-Rei da Índia, evocando a sua memória austera e exemplar, não ouso fazer juízos ou formular conselhos.
D. João de Castro é a verdadeira imagem das mais altas virtudes portuguesas, reveladas em grande parte no próprio campo das nossas maiores glórias.
Marinheiro intemerato, investigador incansável, administrador prudente, querreiro esforçado, patriota estreme, o solitário da Penha Verde, isento de cobiça e coroado de louros, é uma das mais grandiosas figuras duma epopeia que não tem paralelo na História.
O conhecimento da sua vida será o melhor exemplo e mais seguro guia para a Mocidade deste País, para a Mocidade Portuguesa da Índia, num momento tão alto para a vida nacional.
São estes os valores que defendemos na Índia; e é sobretudo com estes valores que nos defendemos na Índia. Eles sobreviveram com as gerações e através dos tempos, e florescem ainda hoje, nas terras tão simbolicamente humildes de Dadrá e nas florestas de Nagar-Aveli, onde se forjam novos heróis que as sombras das muralhas de Damão e de Dio não desdenhariam albergar.
Já não seriam precisos os paradigmas antigos, dum Lourenço de Almeida ou do tanadar-mor Crisna Sinai, com o seu filho Dadagi Sinai, ou do capitão de mar-e-guerra Ismael Can, porque temos a iluminar o caminho essa luzinha que acendeu numa obscura aldeia de Damão, à maneira bíblica, e cujo clarão chega aos mais recônditos lugares da Nação Portuguesa – em Goa, em Trás-os-Montes, em Moçambique, por todo o Mundo Português. Aniceto Rosário e seus companheiros são os novos exemplos, os exemplos que D. João de Castro nos legou.
A História da Índia não acabará. Está agora a escrevê-la, no mesmo estilo de outrora, o povo português em Goa, em Damão e em Dio, de armas na mão e rezando, em várias línguas e em vários credos, a mesma fervorosa oração à Pátria comum. Os novos com o seu entusiasmo, os outros com sua firmeza e todos com a mesma inabalável determinação que deriva de se defender não apenas um tesouro e uma relíquia, mas a própria vida e existência do povo português da Índia.
Resistiremos e havemos de vencer.
AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA (19)
AOS PORTUGUESES DA ÍNDIA – OS NOVOS EXEMPLOS (Alocução proferida em Lisboa, em 12 de Agosto de 1954, perante um formatura da Mocidade Portuguesa, junto da capela onde se encontra o túmulo de D. João de Castro) pelo Capitão de Mar e Guerra M. M. Sarmento Rodrigues - Ministério do Ultramar – 1954