36 – Sabatina é recapitulação. Repetimos: recapitulemos sempre: – Mas afinal o grande capítulo da Economia Corporativa que manda servir, não é o do trabalho? Digamos mais coisas sobre ele…
Digamos sempre, porque é, de facto, o nosso grande capítulo. Mas que havemos de dizer mais, no tumultuar de princípios que a nossa doutrina abraça? Não, esta Sabatina fechemo-la precisamente com a análise e a justificação do grande princípio que nos manda servir. Na próxima Sabatina, teremos ocasião de repetir – a função deste Quarto Caderno é repetir – o que sabemos dos sãos princípios da Economia Corporativa e falaremos do trabalho.
37 – Vimos agora pregar Moral? Todo o Mundo encolhe-nos os ombros. Moral para quê? São coisas que Todo o Mundo sabe… – Mas esquece-as e aqui vão elas, portanto. Mais uma vez o digamos: Toda a questão social não passa dum problema moral e não terá solução satisfatória (relativamente, é claro, porque não podemos fugir à condenação da Bíblia), enquanto o homem disser cinicamente a outro homem que a Moral é uma coisa muito bonita e que a política, a economia, a organização social baseadas na Moral são apenas coisa teórica. Assim, Todo o Mundo acha cómodo ignorar que o Corporativismo tem como ética sua, iniludível, a Moral cristã. Moral cristã aquela que o sapateiro do Auto da Barca não cumpria muito, apesar de ir ouvir missa, pelo que o Diabo lhe dizia, apontando-lhe a sua barca a não a dos anjos:
Ouvir música, então roubar,
É caminho para aqui…
(Continua)
O CORPORATIVISMO PORTUGUÊS (33)
Cadernos Corporativos - Sabatinas com os Inimigos do Corporativismo, Claros e Ocultos, de Fora e de Dentro – SEGUNDA SABATINA – por António Ribeiro da Silva e Sousa (Sidónio Miguel). Edição do Sindicato Nacional dos Empregados de Escritório dos Serviços de Navegação – Lisboa - 1943