15 – Como dizer tantas e tão sérias coisas uma vez mais a Todo o Mundo?
Ninguém o repete para que Todo o Mundo aprenda das palavras de Salazar que formam doutrina:
«O Corporativismo Português não pode dispensar uma organização. Organização que só vê indivíduos? Organização que só vê grupos ou o grupo único da colectividade? – Não». Organização para Todo o Mundo e para Ninguém: «Organização que não deve perder de vista as realidades supra-individuais (não há dúvida, o Corporativismo Português quer ser anti-individualista) e que portanto só é verdadeiramente útil, se conseguir satisfazer os legítimos interesses privados e ao mesmo tempo promover o interesse colectivo. (Também não há dúvida que o Corporativismo Português não quer afogar o indivíduo na colectividade). É justamente um sistema de humano equilíbrio. Organização que não deve dissociar o económico do social pela razão fundamental de que todos os que de qualquer modo trabalham são solidários na produção e é da produção que todos devem viver». Cabe perguntar: O económico depois do social? O social depois do económico? – Como tem de haver uma galinha antes dum ovo ou um ovo antes duma galinha, aprendemos: primeiro o económico, depois o social, como por aí se diz apressadamente, mas que o social inspire o económico, hein?...
16 - «Organização, pois, que deve ser decalcada da vida real do homem na família, na profissão, na sociedade, e, sendo assim, aproveitar o mais possível as formas conhecidas e espontâneas de organização e integrar em plano de conjunto». E aqui tem Todo o Mundo o que porventura Ninguém sabe: a razão da criação dos Grémios e dos Sindicatos, grupos naturais, determinados pela profissão e depois do da família, dentro do espírito da moral cristã, ao serviço da Comunidade. Organização ainda, que deve aliviar o Estado, desembaraçando-o de algumas das suas funções, serviços e despesas, a que não pode satisfazer cabalmente, sob pena de começar ele por dar o exemplo de mau patrão, de mau administrador muitas vezes, destruidor da liberdade individual e de todo o espírito de economia. Mal esse que não vêem os imbuídos de teorias comunistas, que chegam a deificar o Estado, embora lhe apontem todos os dias as deficiências a propósito e mil de um problemas, nos quais apelam para ele. Organização que por enquanto revela deficiência de espírito e de técnica? – Sim, Salazar, como autêntico Chefe, é o primeiro descontente com a sua obra. Deficiente nos princípios? – Não. Nas pessoas dos seus executantes.
(Continua)
O CORPORATIVISMO PORTUGUÊS (22)
Cadernos Corporativos - Sabatinas com os Inimigos do Corporativismo, Claros e Ocultos, de Fora e de Dentro – PRIMEIRA SABATINA – por António Ribeiro da Silva e Sousa (Sidónio Miguel). Edição do Sindicato Nacional dos Empregados de Escritório dos Serviços de Navegação – Lisboa - 1943