terça-feira, 21 de Maio de 2013   


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É discutível a vantagem prática para qualquer país de entrar para as Nações Unidas na fase actual da vida do organismo; e é igualmente discutível se o momento actual era o oportuno para Portugal apresentar o pedido de admissão, quando a orientação geral das Nações Unidas está ainda por definir, não foram esclarecidas todas as regras relativas à admissão de novos membros e a colaboração das nações não é unanimemente desejada no seio da associação, mais presa ainda à ideia da vitória do que à ideia de paz.
Por esta última razão — e apesar dos compromissos de Postdam — não se podiam alimentar grandes dúvidas acerca da posição que a Rússia tomaria no debate, só não se sabendo que orientação adoptaria o Conselho de Segurança acerca do uso do veto numa formalidade preliminar e em condições de paralisar a competência que, para a admissão nos termos da Carta, é exclusiva da Assembleia.
Apesar de tudo fomos partidários de que os países neutros apresentassem neste momento a sua candidatura e todos o fizeram, com excepção daqueles que por motivos constitucionais ou outros o não podiam fazer. E a razão era a mesma da diligência junto de nós realizada pelos Governos da Inglaterra e dos Estados Unidos da América: a necessidade para a própria organização de que as mais nações, qualificadas pela independência e seriedade de vida, mostrassem por um acto de adesão a sua confiança nas Nações Unidas para a manutenção da paz; e de que assim se fizesse um esforço para a colaboração pacífica entre todos os povos da Terra.
Mesmo correndo sério risco de não ser admitido, o Governo entendeu que devia prestar o seu apoio desinteressado a esta ideia. Não está arrependido de ter solicitado a admissão nem pesaroso de não entrar. Pelo contrário, orgulha-se de ter contribuído para desfazer equívocos em que aquelas duas nações, e muitas com elas, parecem laborar.


Relações Internacionais: O Comunismo, Aliança Inglesa, Amizade Peninsular, Pacto do Atlântico (16)

(«Portugal e as Nações Unidas» — Nota oficiosa publicada em 4 de Setembro — «Discursos», Vol. IV, págs. 237-239) – 1946

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